O melhor de todos!!!!!!

domingo, 7 de março de 2010



UM POUQUINHO DO TRECHO DO LIVRO AMANHECER PRA VCS


PRÓLOGO


Eu já tivera mais do que uma quota justa de experiências de quase morte; isso não é algo com que você se acostume.


Mas parecia estranhamente inevitável enfrentar a morte outra vez. Como se eu estivesse mesmo marcada para o desastre. Eu havia escapado repetidas vezes, mas ela continuava me rondando.


Ainda assim, dessa vez foi diferente.


Pode-se correr de alguém de quem se tenha medo; pode-se tentar lutar com alguém que se odeie. Todas as minhas reações eram preparadas para aqueles tipos de assassinos — os monstros, os inimigos.


Mas quando se ama aquele que vai matá-la, não lhe restam alternativas.


Como se pode correr, como se pode lutar, quando essa atitude magoaria o amado? Se sua vida é tudo o que você tem para dar ao amado, como não dá- la?


Quando ele é alguém que você ama de verdade.






1. NOIVA






NINGUÉM ESTÁ OLHANDO PARA VOCÊ, garanti a mim mesma. NINGUÉM está olhando para você. Ninguém está olhando para você.


Como eu não conseguia mentir para mim mesma, tive de verificar.


Enquanto esperava que um dos três sinais de trânsito da cidade abrisse, olhei para a direita — na minivan, a Sra. Weber tinha se virado toda para me olhar. Os olhos perfuravam os meus e eu me encolhi, perguntando-me por que ela não virava a cara, não parecia constrangida. Encarar as pessoas continuava sendo falta de educação? Isso não se aplicava mais a mim?


Depois me lembrei de que aquelas janelas eram tão escuras que ela não devia fazer idéia de que era eu ali, e menos ainda ter me flagrado olhando de volta. Tentei me reconfortar um pouco com o fato de que ela não estava encarando a mim, só o carro.


Meu carro. Suspiro.


Olhei para a esquerda e gemi. Dois pedestres estavam paralisados na calçada, perdendo a oportunidade de atravessar enquanto fitavam o carro. Atrás deles, o Sr. Marshall olhava feito um bobo pela vitrine de sua lojinha de suvenires.


Pelo menos não estava com o nariz espremido no vidro. Ainda.


O sinal ficou verde e, na pressa para fugir daquilo, pisei fundo no acelerador sem pensar — como normalmente teria feito para colocar em movimento minha antiga picape Chevy.


O motor rugiu como uma pantera caçando, o carro deu um solavanco tão abrupto para a frente que meu corpo bateu no encosto do banco de couro preto e meu estômago se achatou na coluna.


— Ai! — Resmunguei ao me atrapalhar com o freio. Para evitar problemas, apenas encostei no pedal. O carro balançou e ficou completamente imóvel.


Não consegui olhar a reação ao meu redor. Se houvesse alguma dúvida de quem estava dirigindo o carro, ela se acabara. Com a ponta do sapato, cutuquei o pedal do acelerador meio milímetro e o carro se lançou para a frente de novo.


Consegui chegar ao meu objetivo, o posto de gasolina. Se não tivesse ficando sem combustível, não teria vindo à cidade. Estava sem muita coisa ultimamente, como Pop-Tarts e cadarços de sapatos, porque não queria aparecer em público.


Agindo como se estivesse numa corrida, abri a tampa do tanque, passei o cartão e encaixei a mangueira de combustível em segundos. É claro que não havia nada que eu pudesse fazer para que os números no medidor se acelerassem. Eles mudavam lentamente, quase como se quisessem me irritar.


Não era um dia de sol — um típico dia chuvoso em Forks, Washington —, mas eu ainda sentia que havia um holofote focado sobre mim, chamando a atenção para a delicada aliança em minha mão esquerda. Em ocasiões como aquela, sentido olhares nas minhas costas, parecia que a aliança piscava como uma placa de néon. Olhem para mim, Olhem para mim.


Era idiotice ficar tão sem graça, e eu sabia disso. Além de meu pai e minha mãe, será que importava mesmo o que as pessoas diziam sobre meu noivado? Sobre meu carro novo? Sobre minha misteriosa admissão numa universidade da Ivy League? Sobre o cartão de crédito preto e reluzente que agora parecia arder no meu bolso de trás?


— É, quem liga para o que eles pensam? — murmurei.


— Hmmm, moça? — disse uma voz de homem.


Eu me virei e desejei não ter feito aquilo. Dois homens estavam parados atrás de um 4X4 caro, com caiaques novos em folha no rack. Nenhum deles olhava para mim; os dois fitavam o carro. Pessoalmente, não entendi. Além disso, já estava orgulhosa de conseguir distinguir os logos da Toyota, da Ford e da Chevy. Aquele carro era preto, reluzente e lindo, mas para mim ainda era só um carro.


— Desculpe incomodá-la, mas poderia me dizer que modelo é esse que está dirigindo? — perguntou o alto.


— Hmmm, é uma Mercedes, não é?


— Sim — disse o homem com educação, enquanto o amigo mais baixo revirava os olhos para a minha resposta. — Eu sei. Mas eu estava me perguntando...


Está dirigindo um Mercedes Guardian? — O homem disse o nome com reverência. Tive a sensação de que o sujeito ia se dar bem com Edward Cullen, meu... meu noivo (ultimamente não havia como fugir da verdade do casamento). — Eles ainda não devem estar disponíveis nem na Europa — continuou o homem —, que dirá aqui.


Enquanto meus olhos acompanhavam as linhas do meu carro — não me parecia muito diferente de outros sedãs Mercedes, mas o que eu entendia do assunto? —, contemplei brevemente meus problemas com palavras como noivo, casamento, marido etc.


Eu não conseguia me entender com aquilo.


Por um lado, fui criada para me encolher só de pensar em vestidos e buquês de noiva. Mais do que isso, porém, eu não conseguia harmonizar um conceito sóbrio, respeitável e obtuso como marido com meu conceito de Edward. Era como imaginar um arcanjo como um contador; eu não o conseguia visualizar em nenhum papel comum.


Como sempre, assim que comecei a pensar em Edward, fui tomada de fantasias vertiginosas. O estranho teve de dar um pigarro para chamar minha atenção; ainda esperava por uma resposta sobre a fabricação e o modelo do carro.


— Não sei — eu lhe disse com sinceridade.


— Posso tirar uma foto dele?


Precisei de um segundo para processar aquilo.


— É mesmo? Quer tirar uma foto do carro?


— Claro... Ninguém vai acreditar em mim se eu não tiver a prova.


— Hmmm. Tudo bem. Pode tirar.


Rapidamente tirei a mangueira de gasolina e me esgueirei para o banco da frente a fim de me esconder enquanto o cara fissurado pegava na mochila uma câmera que parecia profissional. Ele e o amigo se revezavam posando junto ao capô e depois tiraram fotos da traseira.


— Estou com saudade da minha picape — choraminguei comigo mesma.


Mas era mesmo muito conveniente — conveniente demais — que minha picape desse seu último suspiro semanas depois de Edward e eu concordarmos com nosso acordo torto, e um detalhe do acordo era que Edward podia substituir minha picape quando ela morresse. Ele jurou que era apenas o esperado; que a picape teve uma vida plena e longa e depois faleceu de causas naturais. Isso é o que ele diz. E, é claro, eu não tinha como verificar sua história ou tentar, sozinha, levantar a picape dos mortos. Meu mecânico preferido... Parei nesse pensamento, recusando-me a levá-lo a uma conclusão. Em vez disso, ouvi as vozes dos homens do lado de fora, abafadas pelos muros do carro.


— ... atacado com um lança-chamas num vídeo online. Nem enrugou a pintura.



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